Olhar Editorial
De Nova Iorque a Lisboa, passando pelos bastidores das principais semanas de moda, Mathias Rosenzweig construiu um percurso que cruza jornalismo, estilo e cultura. Editor da V Magazine e voz atenta às narrativas contemporâneas, fala com a Stivali sobre as suas referências e inspirações.

Stivali é sinónimo de… Curadoria divina.
Como definiria o seu estilo? Extremamente descontraído (não gosto nada de sobressair numa multidão), mas com pequenos acenos ao que me está a interessar nas tendências atuais.
A última peça que adicionou ao meu guarda-roupa… umas calças verde-escuras da Sacai.
Como elevar um coordenado… Combinar um conjunto “banal” com uns ténis de designer ou outros acessórios que mostrem que tens bom gosto, mesmo que de forma discreta.
Qual a peça mais especial no seu armário? Um casaco-blazer da Comme des Garçons que comprei em segunda mão em Tóquio.
Uma tendência que secretamente adora? E uma que deteste? Adoro o regresso dos chinelos, porque na verdade nunca deixei de os usar… mesmo quando eram menos “aceitáveis”! E não odeio os Labubus, mas também não as entendo totalmente…
O melhor da sua profissão… É poder conhecer algumas das pessoas criativas mais interessantes do mundo.
Uma conquista que mudou a sua carreira… Publicar um livro de poesia independente chamado BOYS WANT F(OL)LOWERS. Adoro escrever para revistas, mas tinha receio de partilhar a minha escrita criativa até finalmente publicar este livro.
O seu mantra de trabalho… Todas as coisas boas levam tempo. Quanto mais envelheço e mais trabalho, mais percebo que o “sucesso da noite para o dia” é quase sempre uma ilusão.
Qual o melhor e o pior conselho que recebeu no trabalho? O pior foi dizerem-me para não me tornar editor de uma revista de moda. Disseram-me isto há 12 anos, invocando que os dias dos editores de moda estavam contados. O melhor foi… “se passares tempo suficiente junto a uma barbearia, pode ser que consigas um corte de cabelo gratuito” (Ou seja, o tempo e as pessoas com quem passas tempo importam).
Trabalhar em moda ensinou-lhe… Sobre a própria moda. Quando fui contratado pela V Magazine, tinha passado a maior parte do meu tempo a ser jornalista de música. Não sabia que a Dolce & Gabbana era uma marca italiana… não sabia nada até me sentar nos desfiles, absorver tudo e sentir que estava a ter a educação da minha vida.
As escolhas de Mathias Rosenzweig
Styling Edit
-
-
MonclerCasaco Maya
-
Como começa a manhã… Faço uma chávena de café e tomo banho quase todas as manhãs. Na banheira, respondo a e-mails, leio um pouco em francês para praticar e faço a lista de tarefas para o dia.
A melhor forma de passar 20 minutos… Pegar numa caneta e papel e fazer uma lista. O que estás a sentir hoje? Quais são os teus objetivos para o dia? O que aconteceu recentemente e que queres lembrar? Escrever à mão estimula diferentes partes do cérebro do que quando estás a digitar. Pode ajudar-te a refletir, reorganizar e reenergizar.
A festa mais memorável onde já foi… No último dia da Semana de Moda de Londres, num dos anos, fui sozinho ao Chiltern Firehouse para um jantar de “ainda bem que acabou”. Queria simplesmente desligar e ouvir podcasts de true crime, nada relacionados com moda, mas acabei por encontrar vários outros editores, que repararam na Naomi Campbell a deslizar para uma sala secreta. Animados por umas garrafas de vinho, dissemos ao porteiro que estávamos com o Baz Luhrmann, que também tínhamos visto entrar. Por alguma razão, ele acreditou e deixou-nos entrar numa pequena festa íntima da fashion week com os melhores cocktails gratuitos e entradas com caviar que já provei. A maior emoção não foi tanto estar na festa, mas conseguir entrar às escondidas — já tinha cerca de 30 anos e não “entrava à socapa” numa festa há pelo menos uma década.
Os três melhores sítios para sair em Lisboa… Palácio Grilo, Outra Cena e (literalmente) apenas o jardim da Praça das Flores.
Quais são os seus escritores favoritos? Ottessa Moshfegh, Joan Didion, Sally Singer (Vogue), Murakami, Garth Greenwell, Eve Babitz.
O que vamos encontrar na sua playlist neste momento? Tenho ouvido muito o que ouvia no ensino básico, como Imogen Heap e t.A.T.u. Descobri recentemente o Charlie Megira, cujo som é super distinto e interessante.
Qual é o seu maior luxo? Não gosto de cozinhar, por isso provavelmente como fora demasiadas vezes…
Quais as palavras ou expressões que mais usa? “Insano”.







